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Neném da Costeira contratou 'expert' em tornozeleira eletrônica para fuga, diz polícia

Traficante já cumpriu 15 dos 39 anos de prisão e desde 2015 reivindica a progressão para o regime semiaberto

Colombo de Souza
Florianópolis
07/12/2018 às 11H30

O traficante Neném da Costeira não vai mais ganhar o direito de passar sete dias fora da Penitenciária Sul de Criciúma, direito garantido pela LEP (Lei de Execuções Penais) para presos de bom comportamento que tenham cumprido um sexto da pena. Este cálculo cabe para Neném da Costeira porque as condenações dele são antigas. Condenado por tráfico de drogas e homicídio, Sérgio de Souza, 45, já cumpriu 15 dos 39 anos da pena. Ele já ficou na cadeia tempo suficiente para ganhar o benefício. Desde junho de 2014, o megatraficante reivindica o “saidão” e a progressão para o regime semiaberto. A saída temporária foi barrada pela Justiça porque a Polícia Militar descobriu um plano de fuga para o Paraguai.

Em novembro de 2015, Neném foi condenado a 21 anos de prisão pelo assassinato de um homem em 2002 - Flávio Tin/ ND
Em novembro de 2015, Neném foi condenado a 21 anos de prisão pelo assassinato de um homem em 2002 - Flávio Tin/ ND



No início da semana, a juíza da Vara Criminal de Criciúma, Débora Driwin Rieger Zanini, recebeu os resultados dos exames criminológicos e psicológicos do detento e observou que eles reuniam condições para o primeiro “saidão”. A juíza concedeu o pedido, com a cautela de o traficante usar a tornozeleira eletrônica. Assim, ele seria monitorado pelo Departamento de Administração Penal.

Porém, 24 horas depois, a juíza Débora foi alertada pelo serviço de inteligência da Polícia Militar de que havia um plano de fuga. Neném seria resgatado assim que chegasse no bairro Costeira, em Florianópolis, nesta sexta-feira (7), onde mora a família dele. “A polícia também informou que o detento havia contratado um expert para abrir a tornozeleira”, afirmou a juíza em entrevista. Em função destas denúncias, Débora revogou a concessão. E alertou que a pena do traficante termina em 2022. A juíza explicou que a denúncia foi verbal, mas afirmou que está solicitando à PM detalhes mais consistentes do plano de fuga.

O advogado de Neném da Costeira, Luiz Gustavo Battaglin, disse que vai analisar os fundamentos da revogação. “É necessária provas contundentes. Sérgio já passou muito tempo na cadeia. Ele quer pagar pelo que fez de errado. Atualmente está bem comportado e não demonstra interesse em fugir”.  Na opinião do defensor, tudo o que falam de Sérgio é folclore. “Dizem por aí que ele reuniu uma fortuna com as atividades ilegais. Mas nada disso é verdade, tanto que quando ele estava no presídio federal em Mossoró (RN) quase não recebia visitas de parentes por causa de custos de passagens aéreas e hotéis”.

Saga do megatraficante da Capital

Um veterano delegado que prefere não ser identificado contou que os morros de Florianópolis começaram a ficar violentos na época em que o “senhor das drogas” do Morro da Caixa, no Centro, era Jair Vitório da Fonseca, o Baga. “Foi ele quem botou armas nas mãos da gurizada", disse. Baga comprava droga do megatraficante Jarves Ximenes Pavão, estabelecido em Balneário Camboriú, onde administrava uma pousada. Pavão tinha contatos com narcotraficantes do Paraguai.

Em Florianópolis, Baga reinava soberano. Não havia concorrente. Mas depois que ele passou a ser embaixador de uma escola de samba da Capital, bancando a agremiação e conquistando troféus, o dinheiro adquirido com a venda de maconha e cocaína não retornava para Pavão. “Na época, o patrão do Mocotó era Denilson. Na Mariquinha quem mandava era Arnaldo Sarará. E na Costeira surgia Neném. Baga vendia no atacado para os morros. Não havia guerra entre os patrões, a não ser a gurizada armada que ficava no terceiro escalão vendendo no varejo”, lembrou o veterano delegado.

Sem receber as partilhas de maconha e cocaína negociada na base da consignação, Pavão veio a Florianópolis e decretou a morte de Baga. A missão ficou por conta de um traficante local que contratou dois adolescentes. Numa noite de agosto de 2000, Baga desceu o Morro da Caixa sem os habituais seguranças para fazer um lanche na rua Mauro Ramos. Na primeira mordida no sanduíche, uma moto com dois ocupantes parou, o carona sacou uma pistola e executou “friamente” o senhor das drogas. "A partir daquele momento, Neném da Costeira passou a ser o número 1 no tráfico de drogas”, lembrou o delegado.

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