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Cadê a praia? Faixa de areia está cada vez menor em Canasvieiras, no Norte da Ilha

Moradores, comerciantes e turistas estão preocupados com o avanço da maré em um dos balneários mais frequentados do Norte da Ilha. Prefeitura aguarda o recuo do mar para a retirada de entulhos

Michael Gonçalves
Florianópolis
07/09/2017 às 14H12

Um fenômeno da natureza preocupa moradores, turistas e comerciantes do Norte da Ilha, em Florianópolis. Desde o fim de abril deste ano, a praia de Casnasvieiras sofre com as constantes ressacas do mar e a faixa de areia diminuiu ainda mais. A operadora de caixa Cristiane Westerkamp ficou surpresa com a situação do balneário que é um dos locais mais visitados do Estado. A Prefeitura de Florianópolis informou que aguarda o recuo da maré para retirar mais quatro postes levados pela correnteza e os entulhos.

Preferida dos argentinos, Canasvieiras recebe milhares de turistas todos os anos. Com a redução da faixa de areia, o número de visitantes pode cair e já preocupa a população. “Cadê a praia? Parece um local abandonado, com sujeira e entulhos no mar”, lamentou a operadora de caixa, que estava acompanhada do filho Wesley.

Cristiane ficou surpresa com a situação de abandono  - Flávio Tin/ND
Cristiane ficou surpresa com a situação de abandono - Flávio Tin/ND



O oceanólogo Argeu Vanz, da Epagri/Ciram, informou que o fenômeno ocorre pelo acumulo de água em função do vento Nordeste e de um anticiclone. Argeu disse que o inverno é um período onde o mar retira a areia da praia, mas no verão acontece o processo inverso. O problema é a frequência deste fenômeno de ressaca. Em função da mudança do vento, a maré deve começar a recuar a partir deste feriado de 7 de setembro.

O vendedor ambulante Jeferson Santos teme uma redução nas vendas com a proximidade da temporada. Para o feriadão, ele não prevê o movimento. “O turista até vem a Canasvieiras, mas quando percebe que não há faixa de areia acaba procurando outra praia. Estou aqui há quatro temporadas e nunca passei por essa situação, onde não consigo colocar o carrinho de sucos na areia”, contou.      

No fim de maio, a Prefeitura de Florianópolis decretou situação de emergência após uma ressacada que deixou um quilômetro de estragos. Além dos muros de casas e estabelecimentos comerciais, 25 postes de iluminação pública foram destruídos à época.

 

Mais quatro postes foram derrubados pela força das ondas - Flávio Tin/ND
Mais quatro postes foram derrubados pela força das ondas - Flávio Tin/ND

Acif deve divulgar estudo neste mês

Preocupada com o avanço da maré, a Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis) desenvolveu um estudo que será apresentado no evento de 20 anos da regional de Canasvieiras, provavelmente, no dia 19 de setembro. O diretor geral da regional, Simoney do Nascimento, explicou que uma empresa americana com filial na Capital elaborou um esboço de projeto.

“Toda a comunidade de Canasvieiras está preocupada com a falta da faixa de areia. Em função disso, uma empresa americana especializada em dragagem de praia fez um levantamento sobre a nossa situação. Vamos apresentar os resultados neste evento. Mesmo assim, a Acif pressiona a Floram (Fundação Meio Ambiente) e o ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) para que tomem as ações necessárias de limpeza e de fiscalização”, antecipou o diretor.

Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Florianópolis informou que a ampliação da faixa de areia é um projeto que precisa de uma grande mobilização de órgãos, primeiro para obter licenças ambientais e depois buscar recursos para tanto. Não há no curto prazo previsão de execução dessa iniciativa. Já as equipes da prefeitura estão aguardando a melhora das condições do mar para fazer a remoção. Na semana passada, a maré não permitiu que as máquinas entrassem para recolher os escombros.  

 

Comunidade espera há uma década

O presidente da Amocan (Associação dos Moradores de Canasvieiras), Sebastião dos Santos, afirmou que a comunidade aguarda uma solução para a faixa de areia há uma década. Ele explicou que a comunidade vem sendo enrolada a cada gestão municipal. O representante da comunidade defende o recuo da faixa de areia.

“Estamos sendo enrolados há 10 anos, com promessas e nada mais. A gente sabe que não é um problema de fácil solução, mas a prefeitura poderia retirar as construções ilegais e recuar a faixa de areia. O gramado poderia ser um espaço aproveitado pelos turistas, assim como os comércios irregulares na região”, cobrou Sebastião.

Ambulante Jeferson (d) não consegue colocar o carrinho na faixa de areia - Flávio Tin/ND
Ambulante Jeferson (d) não consegue colocar o carrinho na faixa de areia - Flávio Tin/ND



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