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Motorista de Joinville troca ônibus por "trenó" de Papai Noel no Natal

No dia a dia, Marcão dirige o ônibus do Transporte Eficiente. Há 20 anos, no Natal, o uniforme dá lugar à roupa de Papai Noel

R. Szabunia, Especial ND
Joinville
19/12/2016 às 12H34

No dia a dia, Marcão dirige o ônibus do Transporte Eficiente, conduzindo pessoas com dificuldades de locomoção. “Gosto muito desse serviço, compreendo os usuários do serviço e trato todos com respeito e carinho”, diz o motorista da Gidion, numa sincera demonstração de satisfação profissional e pessoal. Desde o dia 1º de dezembro, porém, Marcão troca o pequeno ônibus azul por um maior, de linha, todo colorido. Ele encarna o Papai Noel que anima o “ônibus de Natal” da empresa. Em vez de renas, o veículo é puxado pelos cavalos-vapor do motor; no lugar dos sinos, música ambiente natalina inspira os passageiros; o saco de presentes leva balas para adoçar a viagem da criançada. Papai Noel há duas décadas, Marcão curte muito esse período: “Sempre gostei de crianças, visto a fantasia com prazer e alegria”.

Para Marcos, se transformar no bom velhinho é gratificante - Divulgação/ND
Para Marcos, se transformar no bom velhinho é gratificante - Divulgação/ND



Nascido em Joinville há quarenta anos, Marcos João dos Navegantes deve seu sobrenome ao bisavô. “Ele adotou esse sobrenome por ter nascido no dia de Nossa Senhora dos Navegantes”. Caçula de seis irmãos, criou-se no bairro Aventureiro. “Era bem mais pacato que hoje, no Jardim Franciele tinha uma porteira, que a garotada pulava para colher tangerinas”, relembra.

E foi fechando outra porteira que o então garoto vestiu a camisa de goleiro do JEC, desde o infantil até os profissionais. “Como lá já estava o Marcão, outro goleiro, eu era conhecido como Marcos João. A concorrência era braba, quando cheguei ao profissional o Michel Schumacher era dono da camisa 1.” Marcos João ainda defendeu o Brusque e o Juventus de Jaraguá antes de pendurar as luvas e buscar novos rumos profissionais.

Graças ao irmão mais velho, Manoel, na época policial militar, Marcão conseguiu vaga na Gidion há um ano e meio, após um período na Águas de Joinville. “Sou muito grato ao meu mano, um cara que sempre me orientou e me deu força”, reconhece (hoje o ex-PM é funcionário do Museu do Mar, onde é conhecido como Cabo Navegantes).

 

Nicolau desde criança

A identificação de Marcos com a figura do velhinho de Natal vem desde a infância. “Perto do Natal eu gostava de me fantasiar e brincar de Nicolau, era muito divertido”, relembra. Em 1995, a fantasia lhe rendeu um reforço no orçamento. Ele conta: “Um dia resolvi sair fantasiado pelo Centro. Como sempre fui magro, usava enchimentos feitos pelas minhas irmãs, boas costureiras. Aí o dono da loja A Barateira me convidou pra trabalhar lá, atraindo freguesia. Foi a primeira experiência, gostei, fui bem, e a partir de então em todo dezembro encarno o Noel, tanto pra ganhar um dinheirinho extra, quanto em ações voluntárias”.

Dessa forma, durante sete anos, por exemplo, Marcão figurou no lançamento do Natal em Penha, onde seu primo Evandro está encerrando a segunda gestão à frente da Prefeitura. Também anima Natais em lojas, residências e onde sua agenda permitir. É Noel voluntário no Centrinho Luiz Gomes há oito anos, já levou alegria ao Centro de Convivência do Idoso e sábado passado passou a manhã numa loja do Aventureiro e à tarde animou a associação de moradores do Itinga de Araquari, onde mora. Dia 24 de dezembro é o dia mais pesado, mas ele eventualmente ganha o reforço da esposa Carolina e das filhas Isadora, 11 anos, e Iasmim, 10, suas “ajudantes”. A elas também é grato, tanto pela ajuda quanto pela compreensão: “Nosso Natal em família é no dia 25”.

Marcão se realiza ao vestir a quente roupa vermelha, arrematada pela longa barba postiça: “O maior prazer é ganhar o abraço de uma criança, pois é algo sincero”. E não deixa de disseminar o sentido real do Natal: “Mesmo usando uma fantasia de um personagem, sempre passo a mensagem do verdadeiro espírito natalino e dos motivos das comemorações, em torno do nascimento de Jesus”.

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