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Memória eterna: mãe de Danilo trabalha para manter viva a história do goleiro da Chape

“Parece que eu vejo o Danilo crescer quando observo o Lorenzo", diz Ilaídes ao olhar para o neto

Diogo Maçaneiro, Especial para o Notícias do Dia
Chapecó
27/11/2017 às 14H15

Dona Ilaídes Padilha ficou conhecida no mundo todo com um gesto lindo de carinho durante os dias em que aguardava o retorno do corpo do seu filho Danilo da Colômbia. O goleiro da Chape foi uma das 71 vítimas da tragédia de 29 de novembro em Medellín, com o avião da LaMia, um dia antes da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional. Sem combinar com ninguém, ela deixou a sala reservada aos familiares dos passageiros da aeronave na Arena Condá e se dirigiu ao gramado, onde a imprensa se concentrava na sua cobertura dos acontecimentos.

Ilaídes diz que se emocionou quando leu o roteiro pela primeira vez - Diogo Maçaneiro/ND
Ilaídes mantém um memorial em homenagem ao filho, Danilo - Diogo Maçaneiro/ND

Falou com todo mundo, mas encantou milhões de pessoas ao quebrar o protocolo durante entrevista ao repórter Guido Nunes, do Sportv, e abraçá-lo ao vivo como forma de confortar os jornalistas que também perderam colegas e amigos no acidente. “Se não fosse aquele abraço eu não estaria aqui contando a história do meu filho para vocês”, lembrou, quando recebeu o Grupo RIC em Cianorte (PR), onde mora com o marido, a filha e dois cachorros. O gesto foi repetido outras vezes em cada repórter ao abordá-la naquela ocasião.

Na infância, Danilo jogava bola num campinho em frente à casa da família. “Era da janela que eu chamava: ‘Danilo, vem almoçar. Danilo, vem tomar banho para ir para a escola. Danilo, vem tomar banho para dormir’. Era o dia inteiro nesse campo. Os amiguinhos vinham de longe, deixavam as bicicletas aqui em casa e iam jogar”.

Nos fundos da casa, um espaço foi montado como forma de memorial dele. Fotos, troféus, medalhas, presentes e uma série de camisas usadas por Danilo compõem o espaço, além de pôsteres ao lado do filho Lorenzo, do casamento com a viúva Letícia. “Parece que eu vejo o Danilo crescer quando observo o Lorenzo. No dia de finados, era pra ser uma tristeza só, mas ele passou a tarde aqui e eu nem lembrei que era Finados, só sabia que precisava brincar com o Lorenzo”.

 

Orgulho ao ver as defesas do filho

Entre as recordações de Dona Ilaídes as preferidas são as defesas com a camisa da Chapecoense na Sul-Americana. “O orgulho já era do filho. Como criança, adulto, respeitando a família, os amigos e todas as pessoas da vida dele, agora imagina vendo ele fazendo aquelas defesas, defendendo os pênaltis. Nossa... coisa mais linda. São imagens que não saem da cabeça da gente”, alegra-se.

O carisma e liderança exercidos em campo por Danilo transcendiam as quatro linhas. A identificação com a torcida e o povo de Chapecó o transformaram em ídolo de toda uma cidade. “Eu já vi o Danilo muitas vezes deixar o prato de comida para atender uma criança, uma pessoa que queria tirar uma foto. Isso traz o carinho das pessoas”.

E qual é o segredo para tamanha sinergia? “Uma vez me perguntaram o que eu tinha dado pra ele pro Danilo ser tão doce. Amor e carinho”, concluiu.

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