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Marley Buono se realiza desenvolvendo arte que imita a natureza

Artesã moradora de Joinville transforma EVA em flores, folhas e vestidos de boneca

Raquel Schiavini, especial para o Notícias do Dia
Joinville
20/09/2016 às 17H28

“Não imaginava que minhas mãos pudessem fazer uma coisa tão maravilhosa”, comenta Marley Buono, 54 anos, ao recordar o que pensou quando conseguiu fazer sua primeira rosa em EVA, durante um curso em março deste ano, em Joinville.

“Cada um tem seu dom. O meu, achei nas folhas de EVA”, diz Marley Buono - Carlos Junior/ND
“Cada um tem seu dom. O meu, achei nas folhas de EVA”, diz Marley Buono - Carlos Junior/ND



Ela sempre gostou de artesanatos, mas quando descobriu o EVA parece que se encontrou. “Cada um tem seu dom. O meu, achei nas folhas de EVA”, diz com muita convicção.

Quando chegou ao local de curso e olhou os materiais, confessa que não depositou muita fé. Não conseguia vislumbrar uma peça de arte com simples folhas, tesoura e cola. Enganou-se. Já no primeiro dia, aprendeu a pintar e a modelar. Gostou tanto que fez um segundo curso. Lembra que viu uma boneca na mesa da professora com lindo e delicado vestido de EVA. Marley ficou com a boneca na cabeça. Comprou o molde, chegou em casa e fez seu primeiro vestido de boneca. “Uma bruxinha. Quando mostrei para minha neta, já era. Ela se apaixonou”, diz, aos risos.

Além de bonecas, ela faz canetas decoradas e flores para montar arranjos. As rosas são lindas. Imitam as verdadeiras. Para uma boneca, são usadas 24 pétalas de flores. Já para fazer uma rosa, são 15 pétalas, um arame, três folhas e duas céfalas.

“Quando começo a mexer com EVA, não vejo a hora passar. Nem lembro que tenho de comer. Minhas filhas insistem: ‘mãe, vamos fazer alguma coisa, sair de casa’. Mas enquanto estou com minha tesoura, cola e as folhas de EVA, elas sabem é difícil eu sair. Dá a maior briga, às vezes”, confidencia. “Quando vejo que as pessoas admiram meu trabalho, me sinto ainda mais realizada”, complementa.

Antes de descobrir o EVA, Marley fez curso de vitral e produziu algumas obras que tem orgulho até hoje. Dois lustres com a arte de vitral estão guardados com muito carinho na casa da mãe. A artesã também aprendeu a trabalhar com madeira, fez três quadros de paisagem utilizando gesso, brita e jornal.

“Na verdade, sempre gostei de artesanatos, bordava, fazia tricô, blusas de crochê, chinelos, tapetes e outras peças que me rendiam um dinheiro extra”, frisa Marley.

Ela chegou a fazer faculdade de pedagogia, mas não concluiu. Depois, cursou gestão de recursos humanos à noite, enquanto trabalhava de dia.

Marley nasceu no Norte do Paraná e veio morar em Joinville com oito anos. Aos 14, começou a trabalhar como auxiliar de recursos humanos e depois como auxiliar de escritório em outra empresa.

Quando estava com 18 anos, a família mudou-se para Santo André, em São Paulo, onde ficou por quase três anos atuando em um laboratório de análises clínicas como recepcionista e datilógrafa.

Em uma viagem de férias para Joinville, conheceu o marido com o qual teve duas filhas: Mariana e Camila. Quando se casou, a família voltou a morar em Joinville. Depois de 22 anos de casada, se separou. Sempre batalhou para criar as filhas – hoje, mora com a mais velha.

Para ela, a arte a completa, assim como suas filhas e netos.

O que é o EVA

Conhecido entre artesãos e artistas como EVA, o etil vinil acetato é um material emborrachado não-tóxico que é aplicado em ativ

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