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Irmãs fazem em Joinville o bolo de rolo, especialidade de suas origens

Nascida em Recife, Lindacy Lima ganhou o reforço da irmã Izabel para confecção e comida típica de Pernambuco

R. Szabunia, Especial ND
Joinville
14/11/2016 às 15H22

Dizem que “ir a Pernambuco e não comer bolo de rolo é viagem incompleta”. O tradicional quitute nordestino de origem portuguesa é tão simbólico que já foi reconhecido como patrimônio cultural e imaterial do Estado. E não chame o doce de “rocambole”. Podem até ter algumas características em comum, mas os pernambucanos – também chamados capibaribes – não admitem chamá-lo de outro jeito. “O bolo de rolo é um trabalho mais artesanal, que exige cuidado e uma boa dose de perícia na hora de enrolar”, explica uma expert no tema, Lindacy Lima – evidentemente, uma capibaribe da gema. Vivendo em Joinville há oito anos, ela faz da arte aprendida na juventude uma forma de reforçar o orçamento doméstico, ao mesmo tempo em que divulga uma tradição que vem do coração de Pernambuco.

Irmãs Izabel e Lindacy aceitam encomendas do bolo que em breve será entregue no sistema food bike - Fabrício Porto/ND
Irmãs Izabel e Lindacy aceitam encomendas do bolo que em breve será entregue no sistema food bike - Fabrício Porto/ND

Nascida em 1958 em Recife, Lindacy iniciou na família a arte do bolo de rolo. “Nem minha mãe nem qualquer membro da família legou a vocação, aprendi sozinha e aperfeiçoei com a prática”, conta. Mas, na juventude, o planejamento profissional de Lindacy passava longe da culinária e perto dos números, tanto que ela fez a faculdade de Ciências Contábeis e se especializou em Gestão Financeira. Seu primeiro emprego foi na filial nordestina da catarinense Metalúrgica Wiest, em Recife. De lá se transferiu para o escritório paulistano e, há cerca de oito anos, veio para a unidade que a empresa mantinha em Joinville. Com a transferência das operações para Jaraguá, Lindacy decidiu permanecer e mudou de ramo, passando para a corretagem imobiliária. Hoje vende apartamentos da construtora mineira MRV.

Sociedade fraternal

Como a venda de imóveis tem uma agenda baseada no esquema de plantão, Lindacy dispõe das tardes livres. E decidiu ocupá-las com mais uma atividade, que garante um reforço na economia doméstica e permite matar a saudade da terrinha. “Comecei a fazer bolos de rolo sob encomenda, começando na empresa. Hoje, felizmente, a procura é grande e o bolo faz muito sucesso.” Tudo graças à boa e velha propaganda boca-a-boca – nesse caso, em todos os sentidos.

Em agosto a quituteira ganhou o reforço da irmã mais nova Izabel, que veio de Recife com dois filhos e hoje divide o apartamento com a mana, num condomínio do Costa e Silva. Abriram a franquia Senhorita Bolos de Rolo, ampliaram a divulgação para as redes sociais e hoje dedicam tardes e noites à arte de rechear e enrolar a finíssima massa com goiabada. “A goiaba é o recheio tradicional do bolo de rolo, mas também utilizamos outros ingredientes, ao gosto do freguês”, explica Izabel.

Elas também produzem bolos em diversos formatos, sempre a partir da técnica tradicional. “A massa leva apenas trigo, ovo, açúcar e manteiga (ou margarina, se o cliente preferir). As fôrmas vêm de Recife, pois têm um formato próprio para esse tipo de bolo. Assim que a massa sai do forno, já deve ser enrolada, pra não endurecer”, detalha Lindacy. Tal cuidado se justifica e comprova o quanto de habilidade o processo exige. Nos sites de culinária, os capítulos dedicados ao bolo de rolo invariavelmente trazem questionamentos das internautas quanto às formas de enrolar sem estraçalhar a massa. “Ah, não tem fórmula, é tudo questão de jeito”, garante Lindacy, enquanto vai enrolando o bolo que serviu de modelo (e degustação) para esta reportagem. A prática lhe permite resolver em dois minutos uma tarefa delicada, motivo de frustração para quem é acostumado a enrolar apenas rocambole. A produção toda de um bolo consome cerca de meia hora. Um tempo a mais é utilizado na decoração, que geralmente leva renda de açúcar – também feita pelas irmãs.

“A criançada aqui do condomínio sabe quando tá saindo bolo só pelo cheirinho, e já se agita pois sabe que vai ganhar os retalhos”, avisa a “Senhorita” Lindacy. A mana-sócia Izabel revela um projeto da empresa: “Vamos investir numa food bike, para levar o bolo de rolo direto ao público, em eventos”. Logo, portanto, o aroma do tradicional quitute pernambucano vai invadir as ruas de Joinville.

Bolo de rolo vem de Portugal, onde é chamado de “colchão de noiva” - Divulgação/ND
Bolo de rolo vem de Portugal, onde é chamado de “colchão de noiva” - Divulgação/ND

Origem do bolo de rolo

A origem do bolo de rolo vem de Portugal, onde é chamado de “colchão de noiva”. A versão original lusitana levava recheio de amêndoas. Em Pernambuco, porém, no século 16 as senhoras de engenho acrescentaram um toque tropical e passaram a prepará-lo com goiabada. Além das duas versões originais, é possível usar creme de avelã, brigadeiro e o que o gosto do freguês pedir.

 

Contato

Para saber mais e ver opções de bolos, acesse lindacysenhoritaboloderolo no Facebook ou ligue para o número 99728-6757.

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