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Com perna mecânica, Alexandre Velho encarna Papai Noel tropical em Joinville

Emoção é o item mais presente na vida do joinvilense de 37 anos

R. Szabunia, Especial ND
Joinville
12/12/2016 às 11H53

Emoção é item constante no roteiro de vida de Alexandro Pereira Velho, o tipo de pessoa que se pode considerar “do bem”. Nestes dias pré-natalinos, então, a agenda pesa mais, por conta do Natal Solidário promovido pela instituição em que trabalha, e que faz dele o Papai Noel. “Mas prefiro ser um ‘Noel tropical’, de bermuda e camiseta, pois não fica bem o ‘bom velhinho’ abraçar crianças todo suado”, adverte. Com tal vestimenta, Velho deixa à mostra o símbolo de sua superação: a prótese que substitui metade da perna esquerda, perdida num acidente.

“Nasci em Joinville, em 1979, e me criei no Rio Bonito. Tive infância feliz, ao ar livre, fiz o ensino fundamental no colégio Guilherme Zuege e o técnico contábil no Olavo Bilac”, resume. Trabalhava no setor de compras do posto Rudnick no ensino médio, o que serviu para escolher a faculdade de administração na Univille.

Papai Noel em sua tarefa de levar alegria e exemplo de superação - Rafael Ferreira de Souza/Divulgação/ND
Papai Noel em sua tarefa de levar alegria e exemplo de superação - Rafael Ferreira de Souza/Divulgação/ND


Há 13 anos, voltando da aula, sua vida deu uma guinada que a moto não conseguiu dar, ao se estatelar contra a traseira de um carro. “O veículo – detalha – não tinha luz traseira. Isso e um eventual momento de distração de minha parte foram suficientes para bater forte. Minha perna esquerda ficou presa entre a moto e o carro e os danos foram grandes.”

No hospital do Cajuru, em Curitiba, para onde foi transferido, confrontou-se com o prognóstico médico: tentar “consertar” a perna, enxertando ossos, músculos e tecidos ou amputar e, mais tarde, usar prótese. “Nesse ponto – relembra, a emoção avermelhando os olhos – minha mãe Darci deu apoio importante. Não me dizendo ‘faça isso, faça aquilo’, mas deixando claro que a decisão era só minha. Avaliei tudo, principalmente os riscos do complicado processo de restauração, e decidi pela amputação.”

Velho saiu do Cajuru sem metade da perna esquerda, cortada logo abaixo do joelho, mas com uma certeza: “Fiz a opção certa, nunca me arrependi”. Após achar o modelo ideal de prótese, chegou a jogar basquete em cadeira de rodas pelo time Raposas do Sul.

 

Apoio e trabalho social

Com o apoio, tanto na família quanto entre os colegas da faculdade, conseguiu estágio na própria Univille que ajudou a pagar a continuidade dos estudos, formou-se e passou por diversos trabalhos, geralmente na cota dos deficientes. Mas queria algo diferente. “Dava palestra na Totvs, em 2010, quando descobri o Instituto da Oportunidade Social, ONG voltada à empregabilidade de jovens no mercado da tecnologia da informação. A essa altura, já integrava um grupo informal de oportunidades de trabalho chamado Emprego Joinville, disseminando vagas na cidade.”

Ele mesmo acabou se beneficiando, ao conseguir uma dessas vagas, no IOS. “Fiz toda a bateria de testes e entrevistas, fora da cota de deficientes, e superei dezenas de candidatos. Como o IOS surgiu dentro da empresa onde fui analista de responsabilidade social, aprendi muito sobre TI no dia a dia”, detalha o líder da ONG, hoje também pós-graduado em sustentabilidade e responsabilidade social corporativa.

Alexandre Velho:
Alexandre Velho: "Prefiro ser um ‘Noel tropical’, de bermuda e camiseta, pois não fica bem o ‘bom velhinho’ abraçar crianças todo suado" - Divulgação/ND


No próximo sábado, dia 17, ele encarnará novamente o Papai Noel. O Natal Solidário do IOS vem sendo realizado desde 2013. Neste ano, as famílias são buscadas, de ônibus cedido pela Gidion, e levadas até o Instituto Dom Bosco, ao lado da igreja Santo Antônio. “No início, dávamos brinquedos, mas agora incluímos kits escolares e de higiene. Tudo vem de doações, tanto de pessoas físicas como de empresas, e o trabalho é voluntário.”

Neste dia, como faz desde que encarou Papai Noel pela primeira vez, Velho usa apenas o gorro vermelho dos adereços tradicionais. Blusão, calças compridas e botas são substituídos por camiseta, bermuda e chinelos vermelhos. E no lugar da barba postiça, a que ele vem cultivando e só clareia no dia.

Usar bermudas, além de aliviar o calor, tem outro objetivo: “Quero que as crianças vejam a prótese, entendendo que uma pessoa pode viver normalmente, mesmo sem uma parte do corpo. Quando as menores questionam, digo que o Papai Noel sofreu acidente de trenó e usou um pedaço do próprio veículo pra consertar a perna”, brinca, pois a principal lição que pretende legar é a da superação aliada ao altruísmo.

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