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“Vamos terminar o ano como o melhor dos últimos cinco financeiramente”, diz Colombo

Em entrevista ao ND, governador fala sobre as crises na saúde e segurança pública e projeto de candidatar-se a senador

Felipe Alves
Florianópolis
13/09/2017 às 10H32

A melhoria nos indicadores da arrecadação pública, fruto da retomada econômica, deve garantir que o governo do Estado feche 2017 com o melhor cenário de equilíbrio financeiro nos últimos cinco anos. A projeção é do governador Raimundo Colombo (PSD), que promete aumento no repasse de verbas, em especial para a saúde pública.

Na entrevista a seguir, que concedeu nesta terça (12) no Centro Administrativo, Colombo rebateu a informação de que existe um déficit de R$ 600 milhões na saúde estadual. Ainda assim, admite que exitem contas a serem pagas.

O planejamento prevê o repasse mensal de R$ 400 milhões até o final de ano, justamente embalado pelo fôlego nas contas. Em outras áreas, como a segurança pública, entende que as ações da polícia foram eficientes no combate aos ataques orquestrados por facções criminais presentes no Estado. No campo político, o governador confirma os planos de concorrer ao Senado e diz manter “todos os diálogos abertos” para alianças..

Colombo prevê assinatura de contratos para outubro - Marco Santiago/ND
Colombo prevê assinatura de contratos para outubro - Marco Santiago/ND


Um dos anos que o Estado mais aportou verba na saúde foi 2017, mais de R$ 600 milhões até agora, e mesmo assim fala-se em uma dívida de mais de R$ 500 milhões. É isso mesmo? O que levou a essa dívida?

Não é esse número, temos uma equipe fazendo um levantamento completo, mas a dívida existe. Você tem uma procura impressionante na área da saúde, está tudo superlotado, o pessoal saiu dos planos de saúde. Houve um aumento do custo dos medicamentos, do custo das organizações sociais, e isso tudo fez com que nós tivéssemos um déficit. Os meses de maio a agosto são historicamente meses de baixa receita. Então esses meses o valor que o Governo arrecada e repassa é menor, então eu acumulo um déficit que eu recupero a partir de setembro. O mês de agosto foi bom (em arrecadação) e já passamos um dinheiro extra significativo (para a saúde). Setembro será também muito bom.

 

A expectativa do Governo é de repassar R$ 400 milhões extras à saúde até o fim do ano. Nas últimas semanas tivemos uma série de problemas com Hospital Infantil, com Cepon. Qual é a perspectiva que o senhor tem para a área da saúde para os próximos meses?

Todo mês você vai aportar um recurso maior e vai diminuir essa situação. É bastante dinheiro. Vamos passar mais de R$ 100 milhões por mês e isso tudo vai abater da dívida.

 

Existe uma previsão de abertura de leitos que estão fechados nos hospitais? O que ajudaria a desafogar hoje a fila que temos para as cirurgias no Estado?

A fila para as cirurgias é o mutirão. Por que todas as cirurgias de emergências estão sendo feitas. As cirurgias eletivas ficam para depois. Desde 2011 o Estado tem feito um mutirão de cirurgias. Já fizemos mais de 200 mil. A gente tinha uma expectativa do Governo Federal de fazer um aporte, que não foi feito. Então estamos fazendo com o nosso dinheiro. Agora a gente começa a aumentar o número de cirurgias eletivas. Para cirurgias, essa verba do Governo Federal seria de R$ 5 milhões/mês, ou seja, R$ 60 millhões, e não veio nada até agora. Como um todo, eles devem R$ 300 milhões só deste ano e não tem previsão. Mas eles estão nos ajudando em outras áreas.

 

Tivemos uma série de ataques nas últimas semanas ao Estado e também a policiais. Como o senhor avalia a ação do governo nestas últimas semanas? E por que o Estado está tão vulnerável à ação das facções?

Nós temos que trabalhar com essa realidade. Existem as facções, elas são ativas, em alguns lugares elas são fortes. Nós estamos agora com 1.300 policiais em formação – o maior número da história. Estamos investindo muito em tecnologia, equipamentos, câmeras e equipamentos de última geração para poder enfrentar. Nós tivemos este ano 17 mil prisões e apreensões. O volume de droga apreendida é impressionante. A Polícia está fazendo a sua parte. Inclusive essa reação é até um pouco disso. Acho que o Estado prevaleceu, a ação da polícia foi muito consistente.

 

Tivemos ataques em 2013 e agora novamente. O que fica de lição desses atentados para o Estado?

O Estado tem que se preparar por que esse é um processo que está em curso no país inteiro. É um processo muito grave, um dos grandes desafios da sociedade para o futuro e ele decorre de muitas coisas ao mesmo tempo, como o processo das drogas e a crise social que está tomando proporções. E eu estou falando do Estado que é o menos violento do Brasil. Mas nós temos um grande desafio e temos que continuar investindo por muitos anos para fazer esse enfrentamento.

 

Houve algumas iniciativas para aumentar a arrecadação do Governo do Estado este ano. Que impacto isso teve para o Estado?

Nós escolhemos o caminho mais difícil, que era não aumentar impostos e não punir a sociedade. Nós sabíamos que se nós passássemos com êxito, nós seríamos o último Estado a entrar em crise e o primeiro a sair. Eu fiquei cuidado de números o tempo inteiro e fiquei de cabelos brancos. Isso demandou muito da nossa equipe. Do ponto de vista partidário, as pessoas cobram de mim uma ação política. Mas é uma imposição, eu não tenho alternativa. Acho que vencemos bem 2016, pois conseguimos contar as contas bem. Esse ano a economia está se soltando, a arrecadação está vindo e o cenário está melhor. Vamos terminar o ano como o melhor dos últimos cinco sobre a questão de equilíbrio financeiro.

 

O senhor tem declarado que mudanças mais significativas como as que envolvem privatizações devem ficar para o próximo governo. Por que?

Acho que os ativos estão muito baratos. As coisas no Brasil estão valendo pouco. Não é a hora de vender. É jogar fora o patrimônio público. O ponto de vista financeiro é esse: não é a hora de vender. Sob o ponto de vista político, essas ações têm que ser feitas no começo de um governo e não no final. Por que acho que agora a sociedade tem que debater essa questão. Agora fechar empresas, sim. Estamos vivendo o drama do desgaste do fechamento das empresas (como Codes e Cohab).

 

Sobre o Fundam 2, qual é a previsão de lançamento e mudanças que devem ter em relação ao primeiro?

A nossa ideia é manter o programa muito parecido ao primeiro. Estamos com o projeto das precatórias para ser votado na Assembleia e isso nos dá os documentos necessários para fazer o financiamento e executar o programa. É um programa muito bom, que mantém o modelo catarinense de boa distribuição demográfica e fortalecimento dos pequenos municípios. E ele também gera um movimento anticíclico de crise. Você injeta dinheiro e a economia reage, gera milhares de empregos, atividade econômica e fortalece o Estado. Vai ser votado semana que vem, acho que em outubro devemos assinar os primeiros contratos.

 

Temos muitas rodovias estaduais em sistuação precária. Tem algum projeto de revitalização em vista?

Nós estamos com um volume muito grande de obras sendo concluídas. A gente segurou um pouco novas obras exatamente por essa situação financeira. Eu não gosto de começar obra sem ter recurso. Então estamos segurando novas obras. Mas todas as que têm estão andando e com pagamento em dia. E são centenas. Agora segurei um pouco: dois, três meses para iniciar qualquer obra nova exatamente por um equilíbrio de caixa.

 

Uma das maiores obras que ficará do seu governo será a ponte Hercílio Luz. Como está a previsão para a reinauguração? Já foi definida a usabilidade da ponte?

Está prevista agora a etapa mais complicada da ponte e, a partir do momento que você começa a desmontá-la e substituir as peças, teremos uma visão precisa de quando ela fica pronta. É uma ponte de 90 anos. Tem coisas que serão feitas rapidamente ou demoradamente. Depende do que será encontrado. Eu não tenho dúvida de que a ponte está indo num ritmo muito bom. A previsão nossa é de que, com certeza, no ano que vem ela estará liberada. O uso deve ser feito o que for melhor para a sociedade. Ela tem capacidade de resistência de peso e uso igual à Pedro Ivo e Colombo Salles. Ela pode ser usada para automóveis, ônibus, estará alargada ao lado para motos, ciclistas e pedestres. Então ela estará em plenas condições de uso. E aí os nossos melhores técnicos deverão apontar o melhor uso. Do meu ponto de vista, como leigo, na hora do fluxo de entrada da ilha, ela deve funcionar como uma receptora. E na hora da saída, no sentido contrário. Mas é uma visão muito superficial da minha parte. Ela pode atender a qualquer demanda.

 

O senhor mantém a disposição de renunciar ao mandato para concorrer ao Senado?

Eu gostaria de tratar desse processo no fim do ano. O meu projeto é sim ser candidato ao Senado. Mas é um projeto apenas. Não é uma ambição pessoal. Acho que posso ser útil a um momento duro que o Brasil vai passar a partir de 2019 e eu gostaria de ser (senador). Mas eu estou aí para colaborar.

 

Como o senhor tem avaliado a movimentação do PSD no Estado e a coligação com o PP? Existe possibilidade de manter a composição com o PMDB ou até mesmo com o PSDB?

Acho que nesse momento cada partido tem que trabalhar sua estrutura, mobilizar seus militantes, formar militantes, definir seus candidatos e se fortalecer. E isso vai ser feito por cada partido. Agora é época do treino. Depois, lá na frente, você vai decidir com quem vai disputar, coligar, se vai disputar sozinho. Aí o patrimônio eleitoral que você formar até lá vai determinar a força que você tem para fazer o processo. Além disso, vai ter uma grande influência do projeto nacional. Sobre coligações, acho que tudo é possível. É preciso deixar todos os diálogos abertos. Não há por que não conversar, estamos juntos no mesmo governo (com PMDB). Agora isso é uma coisa de conquista, não é na marra que se faz aliança. Os dois têm que se predisporem a construir. E isso vale para o PSDB e para qualquer outro. Agora é uma fase de cada um construir na sua individualidade o seu potencial eleitoral e depois conversar, sem derrubar nenhuma ponte.

 

Como o senhor vê a reforma política que está sendo discutida?

Eu vejo com tristeza por que nós estamos pagando uma conta enorme pelo modelo político que causou todo esse desgaste e, infelizmente não vai mudar nada. Não estou entendendo que haja mudanças profundas. Como vai dar certo quando o modelo está errado? Eu defendo claramente o voto distrital misto, a proibição da coligação para as eleições proporcionais e a cláusula de barreira para você começar a arrumar a casa. Acho que o distritão é um atraso. Espero que a gente consiga pelo menos votar a cláusula de barreira e a proibição da coligação nas proporcionais.

 

Qual é a sua visão sobre o cenário político nacional que temos hoje e sobre os desdobramentos das delações que estão surgindo?

O modelo estava errado. A prática estava profundamente prejudicada e as consequências são essas. É preciso separar o joio do trigo. Uma coisa é corrupção, roubo e enriquecimento. Isso é inaceitável em qualquer circustância. Outra coisa era uma prática política que existia e que deve ser mudada. Não tenho dúvidas que esse debate é bom para o Brasil. É importante que a gente mude o que tinha. Por que o que a gente tinha estava podre, ruim. Então temos que colaborar para esse novo momento da política nacional. 

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