Publicidade
Terça-Feira, 11 de Dezembro de 2018
Descrição do tempo
  • 30º C
  • 20º C

Sem ônibus, Florianópolis amanhece com serviços paralisados e trânsito intenso

Comcap decidiu aderir à paralisação em assembleia realizada nesta manhã; movimento nacional protesta contra Reforma da Previdência

Redação ND com informações da repórter Viviane de Gênova
Florianópolis
19/02/2018 às 15H28
Trânsito intenso na Beira-Mar no sentido Centro - ND
Trânsito intenso na Beira-Mar no sentido Centro - ND

Florianópolis amanheceu sem transporte público nesta segunda-feira (19), já que os trabalhadores deliberaram pela adesão à paralisação nacional contra a Reforma da Previdência. Um dos reflexos foi no trânsito, que ficou bastante travado. Desde o começo da manhã, o principal ponto de retenção é para quem entra na Ilha de Santa Catarina, com filas que começam na BR-101, nos municípios vizinhos, chegando à Via Expressa.

Por volta das 9h30, trabalhadores da Comcap informaram que também aderiram à greve geral, após assembleia que teve início às 7h. Segundo o sindicato, a paralisação nos serviços da autarquia ocorre até as 7h desta terça-feira (20). “O roteiro da manhã sai às 7h, horário em que iniciou nossa assembleia hoje”, disse porta-voz.

Na educação, o ano letivo da rede municipal estava marcado para ter início nesta segunda-feira. No entanto, algumas unidades adiaram as atividades para a terça-feira, já que funcionários não conseguiram chegar para cumprir o expediente. A reportagem identificou creches fechadas na área central, entra elas a Celso Ramos e a Almirante Lucas Alexandre Boitex. O Instituto Estadual de Educação também estava sem atendimento, enquanto a Escola Getúlio Vargas tinha atendimento parcial no bairro Prainha.

Na Saúde, a prefeitura informou que postos ficam fechados no período da tarde, entre eles Ingleses, Pantanal, Trindade, Saco dos Limões, Barra da Lagoa, Ponta das Canas, Cachoeira do Bom Jesus, Santinho, Caieira, Campeche, Costa da Lagoa, Morro das Pedras e Rio Tavares. Não tem atendimento nas unidades do Abraão, Jardim Atlântico, e Novo Continente. Nas demais o atendimento é parcial

O Sintrasem informou que a categoria continuava em assembleia às 15h30 e que o indicativo é que a paralisação ocorra ainda no período da tarde nos serviços de saúde, obras e assistência social. De acordo com o diretor de finanças e administração do sindicato, Bruno Zilioto, os trabalhadores foram convocados para participar do ato desta tarde, no Centro da Capital, que contará com a presença de outros sindicatos e movimentos sociais. “Entendemos que a paralisação dos ônibus nos fortalece, mas também impede que muitos trabalhadores estejam aqui”, informou Bruno.

Luan Machado: paralisação prejudicial para uma segunda-feira - Daniel Queiroz/ND
Luan Machado: paralisação prejudicial para uma segunda-feira - Daniel Queiroz/ND



Passeata no Centro

Chamada pelas centrais sindicais, a paralisação desta segunda-feira prevê uma série de atos na região central da cidade. Segundo informações dos sindicatos, o maior deles será às 16h, em frente ao Ticen (Terminal de Integração do Centro), com passeata pelas principais ruas do Centro. Pela manhã, os trabalhadores ficaram concentrados ao lado do terminal.

Deonísio Linder, dirigente do Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis), diz que a manifestação tem o objetivo de mobilizar não somente os trabalhadores e usuários do transporte coletivo, mas de outros serviços também. “Não é uma greve só nossa, mas também de vários outros setores. A Reforma da Previdência vai afetar a todos”, diz.

Na avaliação do secretário de assuntos educacionais do Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina), Luiz Carlos Vieiras, as mulheres serão as mais prejudicadas no setor educacional, caso a reforma seja aprovada.

“Cerca de 80% dos trabalhadores na Educação é composto por mulheres, que terão pelo menos mais 10 anos de contribuição para a aposentadoria. O prejuízo não é só nosso, mas de todos, principalmente dos menos favorecidos”, afirma.

Manifestantes ficaram concentrados em praça ao lado do Ticen durante a manhã - Daniel Queiroz/ND
Manifestantes ficaram concentrados em praça ao lado do Ticen durante a manhã - Daniel Queiroz/ND

Funcionamento do comércio

Apesar das centrais terem divulgado possíveis atos pelas ruas centrais de Florianópolis, pela manhã o comércio de Florianópolis funcionava normalmente. O excepcional foi a movimentação de clientes, que caiu consideravelmente neste dia de mobilização.

Gabriela Silva, atendente de uma loja de eletrônicos e presentes, diz que em mais de três horas apenas cinco clientes entraram no estabelecimento durante a manhã. “O movimento cai bem mais que a metade com a paralisação do transporte coletivo, mas ainda assim acho válida a manifestação. Se não tivesse que trabalhar, estaria com eles”, conta.

Daniel Guilherme, que responde pela gerência de uma loja de variedades, também reclama da queda do movimento. “Cai bastante, acredito que os clientes ficam receosos de sair de casa”, diz.

Transporte alternativo

Por causa da paralisação do transporte público, a prefeitura de Florianópolis convocou motoristas de vans e ônibus de turismo para suprirem emergencialmente a necessidade dos usuários. Apesar disso, pela manhã, passageiros reclamavam da demora e da pouca disponibilidade do transporte.

Luan Machado, de 22 anos, saiu da Costeira para ir ao Centro fazer uma entrevista de emprego. Ele conseguiu pegar uma van oferecida pela prefeitura, mas ainda não sabia como voltaria para a casa. “É complicado uma paralisação em uma segunda-feira, quando os estudantes voltam para as aulas e para os cursos, os trabalhadores retornam ao serviço”, opina.

Vinícius Zambiazi, de 19 anos, é estudante de Filosofia da UFSC e foi de carona, de Biguaçu para o Centro de Florianópolis, para fazer seu alistamento no Exército. Em meia hora, ele disse que apenas uma van, que seguia para o bairro Estreito, havia passado pelo ponto em frente ao Terminal Rita Maria. 

Apesar dos transtornos com transporte coletivo, ele disse que é a favor da paralisação. “É um único dia parado para evitar problemas por muito tempo. Devemos levar em conta a coletividade, pois não é uma paralisação sem propósito. Acho que a mobilização aqui mostra a força do movimento nacional”, acrescenta.

O secretário municipal de Transporte e Mobilidade Urbana, Marcelo Roberto da Silva, acompanhou a movimentação no Centro de Florianópolis desde o começo da manhã. De acordo com ele, as vans visam suprir apenas de maneira emergencial a paralisação do transporte coletivo.

“Temos 30 vans na rua hoje. Em comparação à frota convencional, de 550 veículos, é realmente bem inferior, mas é uma forma de tentar ajudar o usuário neste dia de paralisação”, afirmou.

O secretário afirmou que também percorreu todas as garagens de ônibus no começo da manhã e que havia piquetes impedindo a saída dos veículos. “Tínhamos profissionais querendo trabalhar, mas que eram impedidos pelo Sintraturb, apoiado por outros sindicatos”, relatou. Uma das barricadas aconteceu na SC-401 e, após perseguição, a polícia conseguiu apreender um dos veículos utilizados pelos suspeitos na ação.

Segundo o Secretário, a Prefeitura continuará acompanhando todos os desdobramentos da paralisação ao longo do dia. “Entendemos que não é a maneira mais adequada de manifestação. Para isso, temos outros fóruns, como Câmera de Vereadores, Assembleia Legislativa, Congresso Nacional. Não é prejudicando a população que vão conseguir alguma coisa”, argumenta.

Ticen amanheceu vazio nesta segunda-feira - Daniel Queiroz/ND
Ticen amanheceu vazio nesta segunda-feira - Daniel Queiroz/ND



Professores terão falta registrada

Anunciaram adesão à paralisação os sindicatos dos bancários, dos trabalhadores da saúde do Estado, da educação e do transporte público. Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Públicas de Ensino Superior também convocou trabalhadores para os atos. A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) emitiu nota informando que os alunos aprovados no vestibular que tinham validações marcadas nesta segunda poderão fazer o procedimento na terça.

Já a Secretaria Estadual de Educação informou que a segunda-feira será contada como dia letivo e os professores que não estiverem nos postos de trabalho terão o dia descontado. No entanto, segundo o órgão, “eventuais transtornos devido à paralisação do transporte devem ser analisados pela escola, juntamente com a Gerência Regional de Educação a fim de organizar a reposição das aulas e do conteúdo perdido.

Os bancários, que deliberaram estado de greve contra a  Reforma da Previdência, prometem “cruzar os braços” no dia nacional de paralisações, e os serviços também devem ser afetados. Nos demais órgãos públicos, funcionários que dependem do transporte público foram liberados.

A CDL (Câmara de Dirigentes e Lojistas) informou que o comércio abrirá normalmente, mas que não descarta a possibilidade de alguns estabelecimentos negociarem individualmente com os trabalhadores as condições de deslocamento ou até mesmo a liberação do dia de trabalho, principalmente por conta da falta de ônibus na cidade.

Publicidade

9 Comentários

Publicidade
Publicidade