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Falta de combustíveis, desabastecimento e limitações em serviços marcam quinta-feira em SC

No 4° dia de paralisação dos caminhoneiros, supermercados no Estado trabalham com estoque, Prefeitura de Florianópolis informa plano de racionamento e entidades alertam para prejuízos

Redação ND
Florianópolis
24/05/2018 às 18H23

Com reflexos nos postos de combustíveis, na produção e em serviços públicos e privados, a paralisação dos caminhoneiros chega ao 4° dia nesta quinta-feira (24). “Situação dramática”, definiu o vice-presidente de relações institucionais e comunicações do Sindópolis (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis de Florianópolis), Joel Fernandes. Ele explica que cerca de 99% dos postos de gasolina do Estado já estão sem gasolina e até o fim do dia o álcool também deve acabar.

Segundo Joel, é possível normalizar a situação rapidamente se a distribuição dos combustíveis voltar a acontecer. “Em dois dias, no mais tardar três, é possível regularizar a o abastecimentos dos postos em Santa Catarina”, disse.

Motoristas formam em fila em posto de combustíveis na avenida Mauro Ramos, em Florianópolis - Marina Simões/ND
Motoristas formam em fila em posto de combustíveis na avenida Mauro Ramos, em Florianópolis - Marina Simões/ND


Nos postos que ainda estão vendendo produtos de gasolina e diesel em Santa Catarina, filas enormes estão se formando. Em alguns deles, foi registrado o aumento dos preços. De acordo com o Procon, o maior preço registrado foi no município de Tijucas, onde um estabelecimento estava cobrando R$6,99 pelo litro de gasolina. A instituição recebeu diversas denúncias e técnicos voltaram às ruas para averiguar a situação em todo o Estado.

De acordo com o Sindipetro/SC (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina), que abrange 222 municípios do Estado, algumas cidades estão com o estoque zerado em todos os estabelecimentos. As situações mais graves estão no Planalto Norte, Sul, Meio-Oeste e Oeste. Em Joinville e Jaraguá do Sul, diversos postos também estão sem estoque. Em Paial, próximo a Xanxerê, o único posto da cidade está abastecendo apenas veículos policiais e de saúde. 

Transporte público é afetado na Grande Florianópolis

Após reunião de avaliação sobre os impactos da greve dos caminhoneiros, o secretário de Mobilidade Urbana de Florianópolis, Marcelo Roberto da Silva, informou nesta tarde que as linhas de transporte coletivo começam a operar com horários alterados. O mesmo ocorre com ônibus que atendem a região da Grande Florianópolis.

Hospitais cancelam cirurgias eletivas

Cirurgias eletivas - aquelas que são marcadas com antecedência - estão sendo canceladas por causa da falta de materiais em vários municípios do Estado. Em Ituporanga, no Hospital Bom Jesus, e em Caçador no Hospital Maicé, essas cirurgias foram canceladas em uma tentativa de garantir material para as operações de emergência.

Em Videira, Turvo, Rio do Sul, Lages, Xanxerê, Mafra, Pinhalzinho e Rio Negrinho há hospitais com problemas de abastecimento, mas não há cancelamentos.

A Secretaria Estadual de Saúde informou na manhã desta quinta-feira que nos hospitais administrados pelo Estado a situação ainda é tranquila. Não há cancelamentos de cirurgias eletivas nem das de emergência.

>> Sem combustível, transporte coletivo em Florianópolis e região tem alteração de horários
>> Nova reunião termina sem acordo e caminhoneiros continuam em greve no Brasil

Manifestação de caminhoneiros continua na Grande Florianópolis. Na foto, movimento em Palhoça na manhã desta quinta-feira - PRF/Divulgação
Manifestação de caminhoneiros continua na Grande Florianópolis. Na foto, movimento em Palhoça na manhã desta quinta-feira - PRF/Divulgação


Prefeitura de Florianópolis comunica plano de racionamento

A Prefeitura de Florianópolis informou, na manhã desta quinta-feira, que conta com um plano de racionamento de combustível, caso a greve dos caminhoneiros permaneça até esta sexta-feira (25). O combustível restante nos tanques de veículos do município irá priorizar casos de emergência na saúde e segurança.

Na Comcap, foi cancelada a coleta seletiva de materiais recicláveis nesta quinta-feira, e os roteiros vespertinos da coleta convencional. O serviço vai operar com metade da capacidade, sendo priorizadas as áreas comerciais onde há maior volume de lixo orgânico, até que seja restabelecido o abastecimento de combustível. Os materiais recicláveis são limpos e podem permanecer mais tempo acondicionados nos depósitos temporários dos domicílios, segundo a prefeitura.

"O usuário do sistema de coleta deve colaborar tanto reduzindo a geração de resíduos quanto mantendo-os bem acondicionados, longe da rua e dos vetores de doenças, até que a situação se normalize", pediu a administração municipal, em nota.

Como fica a coleta de lixo: Nesta quinta-feira, somente coleta convencional noturna no Centro e região comercial do Estreito, com efetivo reduzido a 50% do total, sendo priorizadas as áreas comerciais e de maior fluxo. Nesta sexta-feira, coleta convencional pela manhã com 30% da capacidade operacional. Serão feitos oito de 22 roteiros nas regiões comerciais de Canasvieiras, Lagoa, Ingleses, Santo Antônio, gerais da Armação, Pântano do Sul, Rio Tavares e Novo Campeche. 

Em Biguaçu, as coletas de lixo convencional e de resíduos recicláveis, executados pelas empresas HMS e Recicle Aqui, respectivamente, estão mantidas normalmente.

Aeroporto internacional Hercílio Luz 

A assessoria de imprensa do aeroporto internacional Hercílio Luz disse que ainda há combustível suficiente para manter os voos programados para esta quinta-feira, e a previsão do aeroporto é de operar sem restrições de voos nesta sexta-feira (25) . Situação pode se agravar a partir de sábado, onde  os voos poderão ser impactados pelo desabastecimento de combustíveis.

Confira abaixo algumas das medidas adotadas pela concessionária para prolongar a operação no aeroporto: 

- As aeronaves particulares devem evitar o abastecimento em Florianópolis;

- A empresa recomenda que os voos alternados (aqueles que não tinham escala ou origem programada para Florianópolis) pousem na Capital catarinense com autonomia de combustível para seguir viagem;

- A Floripa Airport mantém uma equipe monitorando em tempo real o estoque de combustível no aeroporto e o abastecimento de todas as aeronaves que pousam e decolam no aeroporto da Capital;

- A Floripa Airport orienta que os passageiros entrem em contato com a cia aérea de seus respectivos voos para maiores detalhes.

Supermercados trabalham com estoque

O abastecimento de alimentos em Santa Catarina já sofre impacto, segundo o presidente da ACATS (Associação Catarinense de Supermercados), Paulo Lopes. "Estamos sendo bastante impactados. Temos relatos de algumas regiões que já estão sem reposição de certos produtos desde quando começou a paralisação, como o Oeste", contou Lopes.

O presidente da ACATS explica que frutas, carnes não congeladas, laticínios e outros perecíveis são reabastecidos diariamente ou a cada dois dias nos estabelecimentos. Como as reposições não estão chegando, as lojas dependem dos produtos armazenados em estoque. "As redes maiores também estão com alguns produtos em falta, pois os caminhões não conseguem sair dos centros de distribuição”.

Em um supermercado de Biguaçu já estão limitando a quantidade de produtos por pessoa. Segundo a fiscal de mercado, Eliane Sibeli, a medida serve para acalmar os consumidores que estão preocupados em estocar alimentos em casa.

No bairro Bom Viver, em Biguaçu, supermercado já limita quantidade de insumos por cliente - Adriele Evangelista/RICTV
No bairro Bom Viver, em Biguaçu, supermercado já limita quantidade de insumos por cliente - Adriele Evangelista/RICTV


Governador diz que não permitirá falta de insumos básicos em SC

Em evento na Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) na manhã desta quinta-feira, o governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) afirmou que o governo será paciente com a greve dos caminhoneiros, mas não permitirá que faltem insumos básicos para os catarinenses, além da falta de gás nas prisões e nem suspensão de cirurgias no Estado.

Pinho Moreira disse ainda que 1 milhão de pintos foram sacrificados na quarta-feira em Santa Catarina, e uma grande quantidade de ovos foram esmagados porque não houve como escoar a produção. Ele também classificou como “loucura” o que foi proposto pelo Senado na quarta.

Fila nos postos de combustíveis em Florianópolis continuam na tarde desta quinta-feira. Na foto, movimento na avenida Mauro Ramos, no Centro - Daniel Queiroz/ND
Fila nos postos de combustíveis em Florianópolis continuam na tarde desta quinta-feira. Na foto, movimento na avenida Mauro Ramos, no Centro - Daniel Queiroz/ND


Entidades de SC alertam para prejuízo em 20 mil propriedades rurais

As interdições nas rodovias provocadas pela greve dos caminhoneiros forçaram a suspensão das atividades de dezenas de indústrias frigoríficas e prejudicaram as atividades de mais de 20 mil propriedades rurais, informaram entidades dos setor nesta quinta-feira.

Segundo o Sindicarne (Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina) e a ACAV (Associação Catarinense de Avicultura), os estabelecimentos rurais foram obrigados a adotar restrição alimentar para os animais e já começam a descartar milhões de litros de leite. "Santa Catarina tem um plantel permanente de 5 milhões de suínos e 118 milhões de aves alojadas que, a partir de agora, entram em regime crítico de sobrevivência. Se esse quadro se confirmar poderá haver imprevisível impacto de ordem sanitária", diz a nota divulgada pelas entidades.

Produtos como leite e carnes estão estragando, pois não é possível fazer sua distribuição. Muitas empresas conseguiram liminares para movimentar as cargas, mas não conseguem veículos que façam o transporte. Com esse panorama, o secretário de Agricultura e da Pesca, Airton Spies, anunciou em coletiva na manhã desta quinta, a paralisação de frigoríficos e da produção de leite no Estado.

Na quarta (23), a Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) ingressou com liminar para impedir o bloqueio de caminhões que transportam produtos de indústrias associadas à entidade, especialmente os que levam produtos perecíveis, como carnes e leite, e essenciais, como remédios. Essa liminar foi deferida nesta quinta pela Justiça Federal, permitindo a liberação de caminhões de indústrias associadas à entidade. Essa medida garante às empresas filiadas o direito de transitar nas rodovias federais que cortam o Estado. A Federação é totalmente contra a greve dos caminhoneiros pelos prejuizos que causam à economia e às familias catarinenses.

Correios com entrega de encomendas e correspondências prejudicada

Segundo os Correios, em todo o país, do total da carga postal pronta para entrega na terça-feira (22), 16% das encomendas e 19% das correspondências deixaram de ser entregues. Em Santa Catarina, 9% das correspondências não chegaram ao destino. Por se tratar de informações relacionadas ao mercado concorrencial, a empresa não detalha os dados estaduais do segmento de encomendas.

Diante desse cenário, estão temporariamente suspensas as postagens das encomendas com dia e hora marcados (SEDEX 10, 12 e HOJE). Os Correios estão aceitando postagem de SEDEX e PAC, no entanto, enquanto perdurarem os efeitos desta greve, haverá o acréscimo de dias no prazo de entrega desses serviços, bem como das correspondências.

A empresa afirmou que está acompanhando os índices operacionais de qualidade de toda essa cadeia logística e, tão logo a situação do tráfego nas rodovias retorne à normalidade, reforçará os processos operacionais para minimizar os impactos à população. A empresa entrega, mensalmente, cerca de meio bilhão de objetos postais, dentre eles, 25 milhões de encomendas. São mais de 25 mil veículos, 1.500 linhas terrestres e 11 linhas aéreas que circulam pelo país de norte a sul.

Judiciário suspende prazos processuais na justiça estadual

O desabastecimento de combustíveis resultou também na suspensão dos prazos na justiça estadual. Ela foi determinada pelo presidente interino do Tribunal de Justiça catarinense, Moacyr de Moraes Lima Filho, em atendimento à requisição formulada em ofício pelo presidente da OAB/SC, Paulo Marcondes Brincas. O pedido da Seccional catarinense considerou que o desabastecimento de combustíveis está impossibilitando advogados e partes em processos de comparecer a audiências e sessões de julgamento.

No ofício a OAB/SC destacou o “prejuízo imensurável decorrente da ausência dos advogados nos atos de audiências e a necessidade de colaboração de todos em tentar minimizar os danos causados pela greve geral dos caminhoneiros” e, ainda, que a suspensão dos prazos ocorra até a completa normalização do abastecimento de combustível e a liberação das rodovias

Confira os pontos de paralisação nas rodovias federais nesta quinta-feira:

Panorama da paralisação nas rodovias federais em SC às 17h desta quinta-feira - PRF/Divulgação
Panorama da paralisação nas rodovias federais em SC às 17h desta quinta-feira - PRF/Divulgação


*Com informações da Folhapress

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