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SC-401: especialista lista 10 motivos para a rodovia ser uma das mais perigosas do Estado

Ano após ano a situação continua igual na rodovia estadual mais movimentada, que mais mata e que mais causa acidentes no Estado

Felipe Alves
Florianópolis
07/09/2017 às 11H44

Os problemas se acumulam ao longo da rodovia SC-401, em Florianópolis, sem previsão de reais soluções. Os números de acidentes e de vidas perdidas crescem sem expectativas de redução. A cada ano a situação continua a mesma na rodovia estadual mais movimentada, que mais mata e que mais causa acidentes em Santa Catarina. As razões são muitas: falta de sinalização adequada, má conservação, atos de imprudência, falta de maior fiscalização e de conscientização e a necessidade de se tratar como via urbana uma rodovia que há anos deixou de ser apenas uma ligação entre dois pontos.

Somente este ano, oito pessoas morreram na SC-401 - Marco Santiago/ND
Somente este ano, oito pessoas morreram na SC-401 - Marco Santiago/ND


Rota diária de milhares de pedestres, ciclistas e motoristas, a SC-401 clama por atenção. Somente este ano, oito pessoas morreram na rodovia. A partir desta segunda (4), o Notícias do Dia e a RICTV Record apresentam uma série de reportagens sobre a atual situação da Sc-401, seus problemas e possíveis soluções.

A convite do ND, José Leles de Souza, doutor em engenharia de transportes pela USP (Universidade de São Paulo) e presidente do Icetran (Instituto de Certificação e Estudos de Trânsito e Transporte) percorreu os 19 quilômetros do trecho Norte da SC-401 – o mais crítico –, do Itacorubi a Canasvieiras, para apontar os principais problemas encontrados ao longo da rodovia.

Alto nível de urbanização  

Construída na década de 1930 para ligar o Centro ao Norte da Ilha, a SC-401 cresceu de forma desordenada e projetou o crescimento rumo ao Norte. O desenvolvimento urbano fez crescer o número de empreendimentos e moradores ao longo da via. Com isso, a SC-401 foi perdendo as características de rodovia.

Shopping, faculdades, hospital, restaurantes, bares, grandes empreendimentos e bairros residenciais formam os vários pontos que geram necessidades de deslocamentos, os chamados polos geradores de tráfegos. Sem passarelas em alguns trechos com alto grau de urbanização, como próximo ao Senai, os pedestres se arriscam diariamente para usar ônibus do outro lado da rodovia.

A falta de passarelas  

Três passarelas são destinadas aos pedestres ao longo dos 19 quilômetros do trecho Norte. Em frente ao Tican (Terminal Integrado de Canasvieiras), a terceira passarela foi inaugurada em junho de 2016. A obra só foi executada por pressão da comunidade local, que fechou a rodovia por várias vezes em forma de protesto aos acidentes.

Para José Leles de Souza, o número de passarelas ao longo da rodovia é insuficiente frente à grande demanda de deslocamentos. Em frente ao Tican, o especialista ainda critica a sinalização inadequada (uma placa define que o local é exclusivo para pedestres, excluindo os ciclistas) e pede um trabalho maior de orientação e educação nos bairros, já que muitas pessoas ainda atravessam a rodovia fora da passarela e motociclistas circulam sobre a estrutura frequentemente.

Pedestres reclamam a falta de passarelas - Marco Santiago/ND
Pedestres reclamam a falta de passarelas - Marco Santiago/ND



Problemas no asfalto 

Considerando-se toda a extensão do trecho Norte da SC-401, de acordo com José Leles de Souza, o pavimento asfáltico não pode ser considerado ruim. Mas há trechos pontuais de asfalto bem desgastado, além de buracos. O principal problema, segundo ele, é o desgaste da pintura das faixas, que precisam ser revitalizadas.

Há trechos com asfalto desgastado - Marco Santiago/ND
Há trechos com asfalto desgastado - Marco Santiago/ND



Ciclistas sem espaço 

Os poucos trechos de ciclofaixas ao longo da SC-401 são desconexos entre si e muitos não têm sinalização ou, quando têm, são confusas. De acordo com José Leles de Souza, faltam as sinalizações horizontais em todas as ciclofaixas e as placas que indicam que os trechos são compartilhados com pedestres não deixam claro como é feito esse compartilhamento. Alguns trechos são estreitos e, com a alta velocidade dos carros, colocam em risco pedestres e ciclistas.

A rodovia é um risco para os ciclistas - Marco Santiago/ND
A rodovia é um risco para os ciclistas - Marco Santiago/ND



Calçadas e a fragilidade para pedestres

Andar a pé pela SC-401 é perigo constante. Tirando um pequeno trecho de poucos metros próximo ao Centro de Eventos de Canasvieiras, não há divisão física, como calçadas em nível, para a proteção de pedestres. Ao longo da rodovia, as muretas de divisão são baixas e permitem a circulação de pedestres de um lado para o outro da estrada. “As calçadas em nível separam com clareza o veículo do pedestre ou ciclista e evitam o contato”, afirma José Leles de Souza.

Pontos de ônibus no meio da rodovia  

Alguns pontos da SC-401 têm pouca margem de parada para os ônibus e nenhum tipo de abrigo para o usuário. Há inclusive uma placa de ponto de ônibus sem margem alguma para o veículo parar. Em outros casos, o motorista é obrigado a parar sobre a ciclofaixa. “Há paradas completamente absurdas para pegar pessoas no meio da rodovia”, diz José Leles de Souza.

Publicidade excessiva 

Os enormes outdoors ao longo da rodovia, especialmente após o posto da PMRv (Polícia Militar Rodoviária), são uma desatenção aos motoristas que trafegam pela SC-401. “Normalmente não se utilizam conjuntos de placas que chamem a atenção de motoristas ou uma comunicação que chame mais atenção do que a sinalização de trânsito”, afirma o especialista José Leles de Souza.

Os outdoors tiram atenção dos motoristas - Marco Santiago/ND
Os outdoors tiram atenção dos motoristas - Marco Santiago/ND



Faixas de domínio  

Há diversos casos de lojas e comércios ao longo da SC-401 que são “colados” na rodovia, sem um limite claro da faixa de domínio permitida para construção. “Isso cria um problema, porque se as pessoas vêm de carro e não sabem exatamente onde está a loja, perde-se a atenção. A pessoa pode fazer manobras inadequadas para entrar ou andar em velocidade mais baixa do que o permitido”, afirma José Leles de Souza.

Sem acostamentos  

A falta de acostamentos na SC-401 é um problema grave. Quando o motorista tem problema no veículo ele é obrigado a parar em uma rodovia movimentada e com alta velocidade. “Se o motorista tiver que parar ele ficará no meio da via por que não tem área de saída. Deveria ter espaços de recuos nem que fossem a cada ‘x’ quilômetros”, diz.             

Sinalizações e iluminação

A falta ou a má sinalização e iluminação são uns dos principais problemas da SC-401 apontados por José Leles de Souza. Além das sinalizações confusas nas ciclofaixas e passarelas, ele afirma que devem ser melhor sinalizados e iluminados principalmente os trechos de entradas ou saídas da rodovia, como o acesso para Jurerê/Daniela, que não apresenta boas sinalizações horizontais e verticais.

A opinião de quem usa a rodovia diariamente

Ciclista

A insegurança acompanha a vendedora Cristiane Lopes de Souza, 20 anos, sempre que ela precisa sair de casa de bicicleta, na Vargem Grande, para ir a Canasvieiras. Na semana passada, acompanhada do filho Eliomar, 1, ela conseguiu fazer a matrícula dele em uma creche em Canasvieiras. O caminho de bicicleta pela SC-401 agora será diário. “No trecho que eu ando tem faixa [de bicicleta] em todo o percurso, mas mesmo assim é perigoso”, diz.

Acostumada a andar de bicicleta, Cristiane fica mais insegura quando está com o filho, mas este é, para ela, o único modo de circular pela região sem precisar pagar. “Esses dias quase fui atropelada, tive que descer da bicicleta e sair correndo, porque os motoristas não param e não reduzem a velocidade”, afirma.

Pedestre

Desde que a passarela em frente ao Tican foi inaugurada, a auxiliar administrativo Janine Pfeiffer, 29 anos, se sente muito mais segura na hora de voltar do trabalho, em Canasvieiras, e ir para casa, nos Ingleses. “Às vezes demorava até cinco minutos só para atravessar a rodovia porque os carros vêm muito rápido. Ficava todo mundo esprimido esperando para atravesssar”, explica.

Mas, para Janine, a rodovia continua perigosa. “Os motoristas exageram na velocidade e vejo muitas imprudências todos os dias e de todos os lados”, conta. 

Motorista

Diariamente o motorista de ônibus João Otávio da Luz, 40 anos, faz o trajeto entre os terminais de Canasvieiras e Trindade. Para ele, a rodovia é mal sinalizada e com várias imperfeições no asfalto, o que dificulta o trânsito diário. “O melhor era um asfalto novo e mais sinalizações de placas e também iluminação. Alguns pontos de ônibus são muito mal iluminados e a gente nem consegue ver os passageiros”, diz. Ele reclama também do excesso de velocidade dos carros e, principalmente, das motos.

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